Foto retirada do site www.amazonia.org.br

Quanto custa o retrocesso ambiental?

Segundo estudo, o retrocesso ambiental pode custar ao nosso país ~ apenas ~ U$$5 trilhões até 2050. Esse dado é proveniente de um estudo feito por dez brasileiros na “Nature Climate Change”, renomada publicação científica sobre mudanças climáticas.

No pior dos cenários podemos chegar ao ponto que o Brasil não consiga assumir seu compromisso para que o objetivo global de limitar a 2°C o aumento na temperatura do planeta seja cumprido.

A nossa meta foi construída em cima da expectativa do controle do desmatamento, e o que estamos assistindo é um governo que libera o aumento do mesmo em troca de apoio político.

Somos o sétimo maior emissor de gás carbônico do mundo e tivemos ganhos entre 2005 e 2012, quando reduzimos as emissões em 54% e o desmatamento em 78%. Porém não conseguimos manter esse cenário positivo. No Acordo de Paris, assumimos 37% de redução em 2025, além de uma indicação de corte de até 43% em 2030.

Quando tratamos do nosso planeta, a casa de todos, inclusive dos governantes (sim, provavelmente eles não estão muito ai para essa realidade), é triste saber que a cada hora a Amazônia perde uma área verde do tamanho de 20 campos de futebol. Sem citar as perdas de biodiversidade, redução dos lençóis freáticos, perda da subsistência das populações locais e erosão do solo.

A pesquisa considera três cenários: forte, intermediário e fraco. No forte o desmatamento do Cerrado cairia de 8 mil km² e o da Amazônia de 9,4 mil km² para menos de 4 mil km². No fraco há o incentivo para a pecuária e agricultura predatórias, onde o desmatamento acontece deliberadamente, o Brasil não cumpre a sua meta e tem o impacto financeiro de U$$ 5 trilhões.

O intermediário mantém o que acontece hoje…significa? Significa que se deixarmos como está, o desmatamento do Cerrado chegará em 15 mil km² e o da Amazônia em 17 mil km² até 2030. E uma emissão de 16,3 gigatoneladas de gás carbônico para o período 2010 – 2030.

Manter como está é optar por tecnologias mais caras, o custo para a indústria, energia e transporte chegaria a U$$ 2 trilhões.

Eduardo Viola, cientista político da UnB, calcula que 38% da Câmara seja da bancada ruralista e reforça que o agronegócio tem  peso de 20% no PIB. Isso nos leva a concluir, segundo Eduardo Rajão, professor da UFMG e um dos autores da pesquisa, que quem tem que falar ao governo que é boa idéia reduzir o desmatamento não são os ambientalistas e sim a indústria e a agricultura.

A grande questão é que o caos político e econômico que estamos vivendo nos distrai de questões a longo prazo, como a mudança climática.

E não, não devemos e nem podemos nos dar ao luxo de esquecer.

(Via Valor Econômico – www.valor.com.br).

 

 

 

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