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Jouer Entrevista #16 | Jorge Wakabara

O Jouer Entrevista desse mês é com o querido Jorge Wakabara, uma criatura que admiramos e que o trabalho super nos inspira. Ele é jornalista, redator e roteirista, com vasta experiência em online.

Já trabalhou com grandes nomes do jornalismo de moda nacional como Gloria Kalil e Regina Guerreiro, e atualmente é o editor-chefe do site e plataforma online Lilian Pacce há quase 10 anos, incluindo redes sociais e YouTube.

Vem saber mais!

JC – Como começou a sua experiência com o jornalismo de moda? 

JW - Na verdade isso é um pouco nebuloso na minha memória. Comecei oficialmente no site Chic depois de trabalhar com a Alexandra Farah no projeto dela chamado Filme Fashion, ajudando-a na curadoria da mostra de cinema entre 2002 e 2003. A Alexandra era editora-chefe do Chic e o Eduardo Viveiros, que era meu namorado na época, também já trabalhava lá. Lembro que era uma vaga só de estagiário em período integral, e essa vaga foi dividida em duas de meio-período pra mim e pra Victoria Ceridono! Mas antes disso eu cheguei a trabalhar no Chic de frila, fiz uns textos e ajudei em temporada de moda, se a minha memória não falha, então foi uma coisa meio aos poucos!

JC – Enquanto editor, que transita por todas as áreas da moda, qual a sua percepção sobre a atual abrangência da sustentabilidade?

JW – Basicamente quem ainda não pensa em sustentabilidade está sendo obrigado a correr atrás, e que bom que isso aconteceu, né? Os empresários perceberam, acho que de uns dois anos para cá, que a sustentabilidade não é uma modinha que você pode entrar ou não; o consumidor ficou exigente e vê como valor agregado um produto e uma marca que se preocupa com questões socioambientais nos seus processos. Então tem marcas perdidíssimas porque a sua matéria-prima já é, por princípio, não-sustentável; ou porque sua estrutura de vendas exige um grande fluxo que também não é sustentável em essência. Mas ao mesmo tempo também acho que qualquer esforço é válido, tem quem fale em green washing e até concordo, mas valorizo o esforço, sabe? Acho que o caminho é mais ficar de olho para que as ações de grandes marcas não sejam isoladas e pontuais, valorizar quem realmente entra num processo contínuo e crescente de aderência a valores sustentáveis. E é importante dizer, lógico, que marcas independentes nadam de braçada nessa questão – porque é mais fácil você mudar quando você é pequeno, mas também porque os valores dos empresários mais jovens são mais condizentes com essa ética, essa nova visão de mundo.

JC – Como você enxerga esse momento para os pequenos produtores? Acredita que há um espaço real para a nova geração?

JW – Sim, mas acho que a tendência está mais pra vários pequenos produtores do que pequenos produtores crescendo. No sentido de que não acho que o pequeno produtor vai ficar rico! Acho que ele vai ter o seu espaço e vai conseguir se manter, mesmo com todas as dificuldades. E na verdade acho que a tendência é a empresa gigante e poderosa diminuir ou ruir. Mas talvez eu seja um romântico socialista, né? A Disney continua firme e forte.

Também acredito que é dever da empresa grande fomentar os pequenos produtores, fazer parcerias, e não vejo isso acontecendo de maneira concreta e contínua. Isso é um tiro no pé porque, no caso da moda, o frescor está nos pequenos, nesses movimentos que começam nas margens, e não no centro. Se você é grande e fica simplesmente copiando esse frescor, pra começo de conversa o clima fica fake, dá pra perceber; e você mesmo perde personalidade, vira qualquer coisa, uma marca de cópia, e perde seu valor essencial de marca que te mantém. Vai ficando cada vez mais insustentável. É inegável a empolgação, quase tangível, que você sente em uma multimarca ou em uma feira de pequenos produtores; empolgação que não existe em muita marca de luxo. Muita mesmo, a maioria.

JC – Queremos saber mais sobre a sua visão a respeito de como se expressa criativamente a moda brasileira. Existe uma identidade?

JW – Entre os pequenos, sim. Tem pequeno produtor que não tem uma identidade e morre na praia por causa disso. Entre os grandes, cada vez menos. E quem a gente vê que vende pencas entre os grandes é quem menos tem identidade, quem menos se preocupa com isso. A longo prazo, acho uma furada. Portanto o consumidor brasileiro, em termos de volume, me parece valorizar pouco essa questão do design e da marca com identidade, salvo raras excessões tipo Farm, por exemplo. E as empresas brasileiras também subestimam o marketing, ele é muito caído na moda brasileira; faltam ideias boas, execução boa, sair do lugar comum. Um bom marketing faz parte dessa construção de imagem de marca, quase tanto quanto o produto em si.

JC – Com relação a transição dos meios de comunicação, como o fechamento da Editora Abril, qual seu palpite para o que está por vir?

JW – Pequenos produtores de conteúdo também são uma tendência. E acho que faz mais sentido mesmo no mundo de hoje!

 

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