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Viscose livre de processos químicos, vem conhecer!

A viscose é um dos tecidos mais utilizados na moda, por conta de sua textura, caimento, versatilidade e preço atrativo. Porém, seu processo de produção envolve grande desperdício de água e utilização de produtos químicos nocivos ao meio ambiente.

Ela é feita a partir da celulose, extraída da madeira, que a depender da maneira como é conduzida, causa impactos sobre a umidade do solo, além da perda da biodiversidade causada pela monocultura e a contaminação dos recursos hídricos, devido ao uso de pesticidas.

Para cada quilo de viscose são gastos 640 litros de água e uma das maiores questões está no processo de branqueamento da fibra, onde são utilizados ácidos e cloro. Embora seja biodegradável, o tecido não tem alta durabilidade e sua reciclagem é complicada, por conta de suas fibras serem curtas.

Ou seja, não vale o desgaste causado.

Mas graças a pesquisa, a start-up finlandesa Spinnova está ampliando a tecnologia que transforma fibra de madeira em fibra reciclável – sem processamento químico ou insumos excessivos de água e energia.

Dado que a indústria da moda usa atualmente mais de 8.000 produtos químicos sintéticos, apresentando riscos a saúde e ao meio ambiente, essa inovação é um passo positivo na limpeza da cadeia têxtil.

A nova técnica combina métodos de tecelagem de teias de aranha com a fabricação de papel e é especialmente bem adaptada para refinar madeiras de fibra longa, como o pinho.

O processo baseia-se no tratamento mecânico da polpa, bem como nos fluxos de suspensão de fibras e na reologia – ramo da física que estuda sobre a viscosidade, plasticidade e elasticidade da matéria.

A massa da polpa finamente moída flui através de um bico único, onde as fibras e as fibrilas giram e se alinham com o fluxo, criando uma rede de fibra elástica e forte. A fibra é então fiada e seca, adequada para a fiação em fio e pronta para ser tricotada ou tecida em outro local.

Não há fluxos de resíduos neste processo. Seu único produto colateral é a água evaporada, também reciclada de volta ao processo.

O resultado é uma fibra antimicrobiana, biodegradável e que, supostamente, consome 99% menos de água do que a produção de algodão.

As florestas são uma importante fonte de renda para a Finlândia, um dos principais produtores mundiais de celulose, papel e papelão.

Segundo a Spinnova, sua tecnologia poderia revolucionar as indústrias têxtil e florestal. A quantidade de madeira utilizada anualmente na Finlândia seria, por exemplo, suficiente para substituir toda a produção mundial de algodão.

Eles tem como parceiros a produtora de fibras austríaca Lenzing AG e a brasileira Fibria, líder mundial na produção de celulose de eucalipto.

A tecnologia está em fase piloto e planeja a produção – ainda piloto –  em escala industrial no final de 2018.

Por aqui ficamos animadas, aguardando a acessibilidade a essa viscose mais limpa!

Fontes: Common Objective, Spinnova e eCycle

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