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Jouer Entrevista #14 | Atelier Jezebel

O Atelier Jezebel é aquela marca que quando você conhece logo pensa: PRONTO, APAIXONEI.

Tudo muito lindo e feito com muito amor e capricho que a gente nota de longe. Por isso, queremos saber mais sobre as mentes criativas por detrás da marca (Sara & Paulinha), e mais sobre a trajetória até então.

ana paula felipe e sara sampaio
Ana Paula & Sara <3

 

Sara Sampaio – Nasceu em Salvador, formou-se em publicidade pela Universidade Católica de Salvador. Morou em Londres, onde fez cursos de extensão na London College of Fashion e Central Saint Martins College of Art & Design. Fez especialização em Marketing e Comunicação de Moda no Istituto Europeo di Design, em Barcelona.
Na volta ao Brasil, viveu uma temporada em São Paulo e teve a oportunidade de atuar em marcas como Fábia Bercseck e Grupo GSM. Em 2009 fundou a Jezebel em Salvador, depois de 4 anos de atuação encerrou a loja e retornou para São Paulo onde relançou a marca com uma nova proposta em novembro de 2016.

Ana Paula Felipe – Nasceu em Jaú, interior do estado de São Paulo, formada em moda pela Faculdade Metropolitanas Unidas. Logo na faculdade começou a trabalhar no segmento de criação de produto na empresa Scala/Trifil e ao decorrer dos anos seguiu para o mercado de comunicação em moda, onde teve oportunidades de trabalhar com renomadas marcas (Havaianas, Timberland, Água de Coco, Pernambucanas, Netshoes) em assessoria de imprensa no setor produção de moda – styling.
Em 2017, abriu sociedade com Sara Sampaio depois de atuar como modelo para a Jezebel em algumas fotos.

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JC – Sabemos que a marca nasceu em Salvador, em 2009, encerrou suas atividades em 2013 e retomou em São Paulo. Quais foram as mudanças que o Atelier Jezebel passou nesse período de transformação?
AJ – A Jezebel em Salvador funcionava como uma loja multimarca com uma coleção própria. A curadoria e processo criativo eram feitos levando em consideração design e as últimas tendências do mercado de moda, a gente queria ter na loja o hype do momento!

Esse intervalo entre o encerramento em Salvador e o relançamento em São Paulo foi importante para o amadurecimento da marca e alinhamento com o que acreditamos. A Jezebel voltou mais consciente e responsável!

Hoje nossa proposta é criar roupas duráveis e atemporais sem deixar de lado as preocupações com o meio ambiente e consumo desacelerado – além da estética, é claro!

JC – Como vocês enxergam a importância do movimento slow fashion?
AJ – A moda tem um papel importante na sociedade como influenciadora de hábitos e costumes, acreditamos que o slow fashion pode inspirar o consumidor a exigir transparência de todas as empresas que se relaciona, indo além da indústria da moda.

JC – O Atelier Jezebel trabalha com peças atemporais. Como funciona o processo criativo para lançar novas peças? O conceito de coleção se encaixa na marca?
AJ – Como nosso objetivo é propor um novo olhar sobre a moda, optamos por não seguir o padrão de mercado que trabalha com coleções por temporada. Acreditamos que esse formato tende a passar a falsa ideia de que a roupa tem que ser trocada toda estação ou que tem um prazo de validade pré-estabelecido.

Hoje nós lançamos em média dois novos modelos por mês, assim ouvimos o retorno das próprias clientes a cada novidade e diminuímos o risco de ter produtos que não sejam bem aceitos e fiquem parados no nosso estoque.

Criamos de uma forma despretensiosa peças que queremos vestir.

JC – Como vocês enxergam o cenário da sustentabilidade na moda hoje e como acham que isso se desdobrará?
AJ – Enxergamos como algo urgente e necessário, pois o planeta não sustenta mais o estilo de produção e consumo da moda atual. Já existe uma tomada de consciência e vontade de mudar crescente, mas ainda estamos engatinhando.

O futuro oferece muitos desafios para o mercado de moda, é hora dessa indústria, que é notoriamente inovadora e adaptável, usar todo seu potencial para estimular uma forma mais slow de viver e alinhar toda sua cadeia com  questões sociais e ambientais.

JC – Enquanto pequenas produtoras, como identificam os ônus e bônus desse setor?
AJ – A maior dificuldade é o relacionamento com fornecedores, nosso poder de barganha é praticamente zero, por isso as empresas não fazem concessões em relação às políticas de preços, valor para pedido mínimo e prazos de pagamento. O que muitas vezes impossibilita a realização do que havíamos planejado.

Entre os pontos positivos a proximidade com nossos fornecedores de mão de obra é algo que conta bastante. Temos total controle de nossa produção – sabemos quem fez cada peça, em quais condições e quanto a pessoa recebeu por seu trabalho.

Nossa produção em pequena escala também favorece a redução do desperdício, hoje não temos estoque parado – nem de roupas e nem de tecidos.

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