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Sustentabilidade na prática, por nós.

Há um tempo fomos convidadas a escrever um texto para o blog do Fashion Revolution Brasil, ficamos mais do que honradas, pois uma das nossas missões enquanto marca é gerar conteúdo e informação para colaborar com a conscientização de uma moda com propósito.

Pensando em um tema para elaborar esse post e achamos que um bom caminho seria dividir a nossa trajetória na implementação de matérias e práticas sustentáveis.

A nossa pesquisa principal gira em torno dessa vertente, então nada mais justo repostar e registrar isso aqui no blog também, para ilustrar que é possível e ser pequeno não é um empecilho.

Sabemos que a sustentabilidade é dividida em quatro pilares: ambiental, social, cultural e econômico. Iniciamos nossa mudança pelo social, através da parceria com a Ong Design Possível , que nos apresentou a Oficina Pano Pra Manga , um grupo de mulheres que estavam fora do mercado de trabalho, aprenderam uma nova profissão e hoje gerenciam seu próprio negócio.

Pano pra Manga Crew <3
Pano pra Manga Crew <3

Na sequência vieram as mudanças de matérias primas. O algodão é um dos principais tecidos da indústria da moda. E o seu cultivo, quando não orgânico, gera graves impactos, inclusive doenças que causam a morte dos agricultores por ficarem expostos aos pesticidas.

Ele é uma das culturas mais áridas que cultivamos, usando 11.000 litros de água em média por cada quilo de algodão produzido. A maioria das plantações de algodão são irrigadas drenando água subterrânea, lagos e rios, ameaçando ecossistemas, vida selvagem e disponibilidade de água para outras necessidades humanas.

De toda a água utilizada na produção de algodão, até um quinto poderia ser usado para tentar diluir a poluição.

Já o algodão orgânico traz muitos benefícios em seu cultivo: em vez de irrigada, até 80% da sua produção é alimentada pela chuva.  O impacto da poluição da água na plantação de algodão orgânico, mostrou-se 98% menor do que na produção de algodão não orgânico.

Além disso, as práticas orgânicas exigem que os produtores de algodão mantenham seus solos saudáveis, pois assim apresentam melhor retenção e absorção de água proveniente da chuva ou da irrigação. Conclui-se que os solos orgânicos utilizam melhor os insumos de água e são mais resistentes em condições de seca. Ao eliminar o uso de pesticidas sintéticos e fertilizantes, o algodão orgânico mantém os cursos de água seguros e limpos.

Em tecidos como jeans, por exemplo, que tem o algodão em sua composição, consome-se em média 10.850 litros de água por peça (dados referentes ao ciclo da planta, passando pelo processamento, tingimento, acabamento, transporte e lavagem).

Essas informações são alarmantes e nos fazem pensar em alternativas para diminuir tantos impactos ao planeta. Encontramos soluções em fornecedores como a Aradefe , uma das tecelagens que trabalha também com algodão orgânico, e consegue atender pequenas quantidades por um preço justo. Inclusive, conhecemos essa empresa através da plataforma Moda Limpa, que é uma agenda de fornecimento da moda do bem, e já citamos por aqui.

Há algum tempo também fomos apresentadas aos lançamentos sustentáveis da Santista Jeanswear. Eles desenvolveram um tecido chamado Upcycle, o primeiro denim feito a partir de fibras 100% recicladas, resultando zero resíduo de algodão, além de tecidos com lavanderia acqua save, que reduz o montante de água utilizado nesse processo da indústria.

Ampliando as opções de tecidos sustentáveis, conhecemos o CO2 control, da Santa Constancia . Esta malha é composta por um fio de poliamida aprimorado em sua criação para permitir que roupas feitas a partir deste material se decomponham rapidamente após descarte em aterro sanitário. A decomposição, que antes demorava décadas para ocorrer na poliamida, agora acontece em 50% no primeiro ano e, em 3 anos, o artigo já está totalmente decomposto.

Além das opções de compra, também existem as de reaproveitamento, como o Banco de Tecido, por exemplo. Eles recolocam no mercado aqueles tecidos que estavam parados e podemos ter acesso a eles comprando por quilo ou até mesmo trocando. Sim, os tecidos que estão sem uso em casa são válidos como moeda de troca por lá! Incrível não?

E foi através dessa inciativa que construímos 80% da Comigo Ninguém Pode, coleção apresentada no Brasil Eco Fashion Week e que também está viabilizando quase toda a produção dessa série.

Foto: Caetana  Modelo: Tamiris Silveira
Foto: Caetana Filmes
Modelo: Tamiris Silveira

Empresas como a Focus Têxtil, tem um programa de reaproveitamento de tecidos. Eles foram nossos parceiros no desfile e estenderam o apoio para a produção. A iniciativa da Focus é bem legal, eles doam as sobras de tecido para capacitar costureiras, como isso é importante!

Através dessas duas iniciativas vislumbramos o que antes era uma questão – encontrar quantidade de tecido de reuso para produzir uma grade de peças – em uma saída. Optamos por fazer o que dá, com o que temos disponível, sem gerar mais resíduos e sim aproveita-los. Dessa maneira, conseguimos chegar em uma série feita 100% com tecido de reaproveitamento.

Então você não mais encontrará as peças do mesmo modelo, todas com o mesmo tecido. Vez ou outra isso é possível, a depender da disponibilidade, mas quando não for, terá uma peça exclusiva, com um tecido que ninguém mais tem (e pelo mesmo valor!).

Essa metodologia se estende aos parceiros de atacado, com a única diferença que, se o pedido for maior, temos condições de comprar em tecelagens que levantam a bandeira e apresentam boas (e reais) soluções para os pilares que trabalhamos.

Há uma infinidade de recursos disponíveis para que a sustentabilidade se faça cada vez mais presente na moda. O importante é começar, caçar informações (sim, elas estão cada vez mais acessíveis!) e tentar fazer melhor sempre. Um trabalho de formiguinha mesmo.

Precisamos ter em mente que o planeta é nossa casa, com recursos vitais esgotáveis. Vamos fazer a nossa parte!

Com amor,

Mari & Carol

#jouercrew

 

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