Foto: Sergio Caddah | Agência Fotosite
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Jouer Entrevista #11 | Fernanda Simon

Ficamos muito felizes em publicar o Jouer Entrevista, é uma oportunidade de dividir com vocês um papo massa com criaturas que nos inspiram e  que admiramos pessoal e profissionalmente.

Essa edição é com a querida Fernanda Simon, coordenadora nacional do Fashion Revolution Brasil, co-idealizadora da Brasil Eco Fashion Week e consultora da UN Moda Sustentável.

Fernanda tem fortes ideologias, acredita que o planeta passa por um momento crucial de mudanças e que a moda é um importante agente de transformação.

Vem conferir!

JC – Qual foi seu primeiro contato com a sustentabilidade na moda?

FS - A primeira vez que este conceito se apresentou em minha vida foi quando eu morava  na Inglaterra, em 2008 ou 2009, e conheci a loja da Braintree em Camden Town, que vendia roupas feitas algodão orgânico e cânhamo e tinha um conceito bem diferenciado. Um pouco depois, um amigo inglês me contou sobre a experiencia dele trabalhando para a ThTC, uma marca de camisetas de cânhamo com estampas bem ativistas, estas marcas me despertaram uma curiosidade e me inspiraram a ir atrás de outras com conceitos similares.  Eu comecei a me interessar e pesquisar sobre este universo, até que cheguei na Jocelyn Whipple, minha mentora na área, que me recebeu em sua empresa (uma agência de consultoria focada em sustentabilidade e showroom). Eu tive a oportunidade de trabalhar com ela durante alguns anos e foi assim que começou minha carreira com o foco em sustentabilidade.

 

JC - Como foi o início do Fashion Revolution no Brasil? Conta pra gente como começou esse movimento aqui.

FS - O movimento surgiu em Londres a partir da mobilização de profissionais da área após o desabamento do Rana Plaza, no dia 24 de abril de 2013. Eu, na época, ainda morava na Inglaterra e era próxima de alguns dos idealizadores do movimento, como a Jocelyn, para quem eu trabalhava, e então fui indicada para ser a representante no Brasil. Voltei para o país em 2014 levantando a bandeira do movimento, a primeira pessoa que entrou para a equipe foi a Bruna Miranda e juntas participamos e articulamos ações e eventos, aos poucos o movimento foi crescendo e outras pessoas se uniram a equipe, como a Elo Artuso que trouxe o viés educacional. Assim o movimento foi se espalhando e se fortalecendo. Hoje temos uma equipe núcleo maravilhosa que realiza diversas ações, articula os 40 representantes locais e estudantes embaixadores.

 

JC – O Fashion Revolution é umas das principais ferramentas de informação e agitador de muitos eventos de moda ética e sustentável (vide Fashion Revolution Week) no país. Como uma marca ainda nova e pequena, vemos a aderência de empreendimentos como o nosso a esse movimento. Existe o mesmo interesse vindo de empresas maiores?

FS – Eu, pessoalmente, percebo que as marcas menores têm uma identificação maior com a causa e participam com mais intensidade, mas também existem grandes marcas, tanto nacionais quanto globais, que participam da campanha e procuram se engajar, pois percebem a necessidade de serem mais transparentes e de comunicar suas práticas positivas ao público final.

 

JC - Com a primeira edição do BEFW realizada, qual o “balanço” que você fez após o evento? Correspondeu às expectativas no engajamento das marcas e interesse do publico e da mídia?

FS - O evento foi um sucesso, ficamos extremamente felizes com o resultado e sentimos que os participantes também ficaram, recebemos quase quatro mil visitantes de diversos estados.

Conteúdo para inspirar e informar não faltou, foram mais de 20 atividades como palestras, workshops e talks. No showroom 40 marcas realizaram vendas e iniciaram novos projetos, algumas que estão começando e outras que já tem um histórico no cenário da moda sustentável. Além do showroom, o Espaço Lab reuniu 22 iniciativas inovadoras para apontar caminhos e alternativas em prol da moda consciente.

Os desfiles foram o destaque da programação: 13 nomes estiveram nas passarelas do BEFW comprovando a genuinidade e potencial deste mercado em acessão. Com mais de 100 imprensas cadastradas e mais de 70 matérias online em renomados veículos como Estadão, Folha de SP, ELLE, FFW e Lilian Pacce.

 

JC – Quais os planos para a próxima edição do BEFW?

FS - Os objetivos para a próxima edição estão focados em fortalecer as conexões através da conscientização e fomento ao mercado.

Fernanda Simon finaliza: ” Acreditamos que toda a cadeia da moda tem que ser sustentável, não como um diferencial ou exceção, mas como regra, afinal quando falamos de sustentabilidade, também estamos falando de direitos humanos e preservação ambiental, o que já é uma missão de  todos” .

 

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