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Sobre o descarte têxtil no Brasil

Antes daquela peça de roupa mára chegar às prateleiras da sua loja favorita, muita coisa acontece. Os impactos da produção de vestuário são inúmeros e começam do plantio do algodão, por exemplo; seguindo pela confecção e vai até mesmo a comercialização desses itens.

O cultivo de algodão não orgânico usa mais pesticidas por planta do que muitos outros cultivos, gerando graves impactos nos ecossistemas locais (matando plantas e animais, contaminando o solo e água). Além de causar doenças e até mesmo morte dos agricultores por ficarem expostos aos componentes químicos presentes na composição desses venenos. O grande volume de consumo de água decorrente dos processos de alvejamento e tingimento dos tecidos, também é um agravante.

Em mérito de sustentabilidade social, as condições de trabalho análogas à escravidão, infelizmente ainda são práticas muito presentes na cadeia produtiva de gigantes da indústria da moda que têm sua produção terceirizada, e na maioria das vezes perdem o “controle” e fiscalização sobre a procedência dos seus produtos (por falta de interesse próprio ou não).

“O trabalho escravo ainda é uma violação de direitos humanos que persiste no Brasil. A sua existência foi assumida pelo governo federal perante o país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995, o que fez com que se tornasse uma das primeiras nações do mundo a reconhecer oficialmente a escravidão contemporânea em seu território. Daquele ano até 2016, mais de 50 mil trabalhadores foram libertados de situações análogas a de escravidão em atividades econômicas nas zonas rural e urbana.”

Trecho retirado do texto “Trabalho escravo é ainda uma realidade no Brasil” de Natalia Suzuki e Thiago Casteli e publicado em Carta Educação

Na confecção, existe uma etapa chamada enfestação, onde os moldes da peças são colocados sobre o tecido para o corte. Nesse processo procura-se aproveitar ao máximo o tecido, para que o consumo seja o menor possível, apara assim os custos com matéria-prima serem reduzidos. Porém, ainda assim, o descarte das sobras é grande. Além dessas aparas, são descartados tecidos obsoletos de estações/coleções passadas, o que só engrandece o número de itens que vão direto para o lixo, na grande maioria das vezes. Aqui no Brasil, temos a estimativa de 175 mil toneladas/ano de resíduos têxteis descartados, e apenas 36 mil toneladas são reaproveitadas. Segundo a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), na região do Bom Retiro na cidade de São Paulo, são descartados inadequadamente 12 toneladas por dia  de retalhos provenientes de 1,2 mil confecções.

“Segundo estimativa do Programa da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o volume de resíduos urbanos deve aumentar do atual 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões de toneladas até 2025. Em relação ao descarte do lixo no Brasil, apenas 58% do total coletado tem como destino os aterros sanitários, terrenos que funcionam de acordo com as exigências legais. O restante é despejado em aterros controlados (24,2%) e em lixões (17,8%), e somente cerca de 4% é reciclado.”

“A gestão dos resíduos oriundos do setor têxtil é imprescindível, tanto do ponto de vista ambiental, social, legal e econômico para a consolidação de uma sociedade mais sustentável em diversos níveis.”

Trechos retirados do texto “Os impactos ambientais decorrentes da cadeia produtiva têxtil”, sem autor divulgado e publicado no Site Portogente

O Banco de Tecidos, como já falamos aqui, é uma opção para esse descarte, pois recolocam no mercado aqueles tecidos que estavam sem uso em prateleiras ou estoques. Outra empresa que reaproveita essas sobras é a EcoSimple. Fundada em 2010, ela oferece uma diversidade de tecidos feitos a partir da reciclagem de garrafas pets, retalhos e aparas da indústria têxtil.

A Jouer Couture, como marca, está em processo de adaptação à utilização de matérias primas menos nocivas ao planeta e em busca de uma conscientização própria, dos seus clientes e de outras marcas sobre esses impactos da produção de vestuário ao meio ambiente.

 

Fontes: Site Portogente e Carta Educação

Imagem: Google

 

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